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O medo antes do respeito
O que eu tenho a dizer não é nada de novo, nada que a maioria das pessoas não saiba, mas a presença disso me dá vontade de escrever, de reclamar.
Meu irmão foi pego numa blitz policial e contou algumas das cenas que viu. Falou sobre um cara que tentou fugir e foi derrubado da moto, espancado e forçado a tirar a calça no meio da rua. Em outra ocasião, meu irmão foi abordado na rua e acharam um remédio (descongestionante nasal) com ele, e entre tapas e gritos, os policiais espirraram o remédio na cara dele.
Esses não são casos isolados e a conduta policial geralmente é abusiva e violenta. Principalmente quando o suspeito não aparenta oferecer um risco de reação jurídica, como um processo, ou, quando não existem muitas testemunhas no local. A conduta varia com a aparência e com o comportamento da pessoa. Os direitos mudam.
Existe para a polícia um grupo que é suspeito simplesmente por ser como é. Esses “suspeitos naturais” compartilham certo modo de se vestir, certa postura, e são classificados como perigo. Estes são tratados de forma mais agressiva. Meu irmão, por exemplo, é negro e é discriminado pela policia por suas roupas, sua postura, seu jeito de falar e coisas do tipo. É visto pela polícia como suspeito, assim como a maioria dos jovens pobres do bairro. Eu, por outro lado, nunca fui abordado. Sou salvo pela minha aparência: pele clara, não uso as roupas (não uso determinado tipo de roupa) do público alvo policial e nem frequento os mesmos lugares que eles frequentam.
Esses “suspeitos naturais”, não têm direitos, sendo frequentemente vítimas de atitudes covardes dos policiais. A polícia está habituada a agir dessa forma. Os suspeitos mal podem falar e sempre temem a reação do policial. É Triste saber de um rapaz qualquer que, voltando de uma festa, ou até do trabalho, é humilhado, intimidado e até agredido por se vestir/agir de tal maneira. O inocente branco e/ou rico, merece o mesmo tratamento do inocente negro e/ou pobre. O mesmo vale para os criminosos.
Medo antes do respeito. A autoridade responsável pela segurança age baseada em preconceitos e se vê no direito de punir quem deseja. Seja em casos grandes, como a desapropriação da ocupação do Pinheirinho (São José dos Campos), onde policiais são acusados de violência excessiva e até abuso sexual, ou no cotidiano dos jovens, negros ou pobres ou simplesmente estereotipados como suspeitos pelo seu jeito de ser. A polícia vem se tornando um grande perigo nas ruas.